O GRUPO, quem é o grupo?
Aquele que vi a olhos crus
todos me olhando com a cara de malandros
recebendo bronca do tio pai todo pouco poderoso
cobrando leituras
xerox
posturas
num clima de galeria
a galera
em silêncio não se justificava
um tímido Manolo disse:
final de mês tá todo mundo sem grana...
Mentira!!!. respondeu o despótico tio!!!!!!
que é despótico?
pra cerveja e outros baratos vcs têm dinheiro,
mas para ler e sair desse ego umbigo de pedra
que se quer olha para outros poetas, escritores
porque para vcs já se bastam, já tem um cabedal
monumental
o que é cabedal?
esse narcisismo apoiado no primarismo
é um saco..... infantilismo acaba rápido e depois?
como falar do tempo com as poucas palavras de vocês
que ouví-las, produz mais cansaço e tédio
do que ponteiros de relógios...
tô de saco cheio de vcs...
e mesmo assim insisto
insight
beijos
claudio
Eurídice
Uma pessoa tem um corpo,
Um só, sozinho.
A alma já está farta
De ficar confinada dentro
De uma caixa, com orelhas e olhos
Do tamanho de moedas,
Feita de pele - só cicatrizes -
Cobrindo um esqueleto.
Pela córnea ela voa
Para a cúpula do céu,
Sobre um raio gélido,
Até uma rodopiante revoada de pássaros,
E ouve pelas grades
Da sua prisão viva
O crepitar de florestas e milharais,
O troar de sete mares.
Uma alma sem corpo é pecaminosa
Como um corpo sem camisa -
Nenhuma intenção, nem um verso.
Uma charada sem solução:
Quem vai voltar
Ao salão depois do baile,
Quando não há ninguém para dançar?
E eu sonho com uma alma diferente
Vestidas com outras roupas:
Que se inflama enquanto corre
Da timidez à esperança;
Pura e sem sombra,
Como fogo, ela percorre a Terra,
Deixa lilases sobre a mesa
Para que se lembrem dela.
Então continua a correr, não te aflige
Por causa da pobre Eurídice;
Continua a rodar teu aro de cobre,
Corre com ele mundo afora,
Enquanto, em notas firmes
De tom alegre e frio,
Em resposta a cada passo que deres,
A Terra soar em teus ouvidos.
Arseni Tarkovski
esculpir o tempo
ResponderExcluira partir de uma fotografia de Natália Zietemann
olho de gato
no fundo da xícara
cheia de café,
pupila vermelha em caleidoscópio,
bússola do tempo
a girar por reflexos,
fissuras da memória
em quadrantes e estações.
Gostaria de ver aqui a fotografia de Natália Zietemann
ResponderExcluirgostei disso tudo, e gostaria de ver a foto tbm
ResponderExcluirnão consigo me filiar aqui, só postar recados
ResponderExcluirNossa, isso foi realmente bonito, a Bronca mais do que o poema...
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