28 05 2012
hoje pensei que não iria escrever palavras para outros lerem. comentaram, - mas é assim que ele busca as referencias pra escrita, (não foi bem assim), mas foi isso. isso relacionado a voltar caminhando pra casa de noite, pois muitos não entendem essa ação, caminhar um pouco mais de uma hora pra chegar em algum lugar, - e você não tem medo, é o que muitos dizem. andando, um senhor que vem na contra mão: - garoto, hoje é segunda-feira?, - sim. saímos dando risada, ele e eu, por uma felicidade de encontrar historias em um dia pensativo
que corre distante
que as águas estão levando no curso do rio, água parada, água corrente.
dias de homens idosos, admiração de uma vida e sabedoria de chegar a esse ponto, seja como for, mas chegar vivendo,
vivendo, vivendo.
senhor empurrando uma cadeira de rodas, perto de um bingo, senhora sentada, imagino ser um casal em seu curso de alegria, prazer e dor, satisfação em buscar no que se pode essa satisfação que o viver oferece.
dia de homens, garotos no mesmo caminho, escuro, baixada, subida, ponte com poça d'água e barro verde que não pude ver ao alcance dos olhos, e era verde, imagino agora, assim como poderia ser amarelo.
mãos atrás que se seguram, esquentam os pequenos ossos que como pinças agarram umas as outras, senhor calvo com caminhar mais alto que o som da noite, as motos passam distantes, o carro é devorado pelo vento, mas o que ouço mesmo são esses passos do senhor calvo segurando as mãos atras, passos largos, distante uma perna da outra, passos para fora,
chutar os lados que a mata fechada de colonhão obriga a desfaze-la para a passagem.
um pouco antes dos passos, um senhor dobra a esquina, um susto para minha pele que já fria pelo vento de fim de outono, senhor branco laranja de blazer de couro preto, vindo pela calçada, passa sem olhar para trás, alguns segundos mais frios que os outros.
pequeno mundo que os passos conseguem passar, pequeno mundo que os pés conseguem pisar, mesmo calçados, o pequeno espaço de contato nesse um pouco mais de uma hora,
frio e quente se contorcem no corpo que por calçada e terra passam
que pelo frio e somente de camiseta seguem, pois o corpo suando com o vento gelado congelando o suor, fazendo-o voltar pelas portas que saíram.
esse pequeno mundo também existe.
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