esculpir o tempo
olho de gato
no fundo da xícara
cheia de café,
pupila vermelha em caleidoscópio,
bússola do tempo
a girar por reflexos,
fissuras da memória
em quadrantes e estações.
pensei um pouco sobre o tempo, saiu isso:
o tempo palpitante
pulsatilla
Lachesis
a vida a que destina
retira
aguarde
Cloto, Átropos
tempo em repouso
pousa a folha
lentamente
como o pluma roça a pele
toca a superfície d’água
o rio já corre
beija a vida
lava
leva a calma
traz a fama
reclama
o tempo
sem ressalvas
e aqui tentativa de brincadeira de fazer uma quadra que não saiu quadra,
Moura Torta
o tempo é uma porta
Moiras loiras
seu tempo foi das loiças
louça quebrada
horas mortas
cerzindo o ruído
roca mouca
agora varremos os cacos do chão
o mistério não se
arrebata
fuligem
varrendo todo
dia
o fundo da loja
ourives lapida
diamantes
trinta anos
guarda pó
um rastro que
arrasta
cintilantes
asas
que lindo Marcos! Gostei muito da referência às Parcas. Sempre que leio sobre o assunto, penso no mesmo instante que elas desenhavam a vida dos homens tecendo o tempo e o transformando linha, da mesma maneira que tecemos as linhas de um desenho a partir de nossas experiências com o mundo.
ResponderExcluirelas tecem o tempo, nascimento, crescimento, morte, transformação
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