domingo, 13 de maio de 2012

esculpir o tempo poético

esculpir o tempo


olho de gato
no fundo da xícara
cheia de café,
pupila vermelha em caleidoscópio,
bússola do tempo
a girar por reflexos,
fissuras da memória
em quadrantes e estações.




pensei um pouco sobre o tempo, saiu isso:





o tempo palpitante
pulsatilla
Lachesis
a vida a que destina
                       retira

                       aguarde

Cloto, Átropos
tempo em repouso
pousa a folha
lentamente
como o pluma roça a pele
toca a superfície d’água

o rio já corre
beija a vida
lava
leva a calma
traz a fama
reclama
o tempo
sem ressalvas




e aqui tentativa de brincadeira de fazer uma quadra que não saiu quadra, 

Moura Torta
o tempo é uma porta

Moiras loiras
seu tempo foi das loiças

louça quebrada
horas mortas
cerzindo o ruído
roca mouca

agora varremos os cacos do chão









o mistério não se arrebata
fuligem
varrendo todo dia
o fundo da loja
ourives lapida diamantes
trinta anos
guarda pó
um rastro que arrasta
cintilantes asas



                              
                                                           Marcos Aulicino


2 comentários:

  1. que lindo Marcos! Gostei muito da referência às Parcas. Sempre que leio sobre o assunto, penso no mesmo instante que elas desenhavam a vida dos homens tecendo o tempo e o transformando linha, da mesma maneira que tecemos as linhas de um desenho a partir de nossas experiências com o mundo.

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  2. elas tecem o tempo, nascimento, crescimento, morte, transformação

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