do desenho como um naufrágio
linhas
paralelas, sequências horizontais
o caderno com o
traçado das correntes marinhas
diário de
bordo, roteiro de céus
nuvens em
deslocamento, brisa, o vácuo do vento
desenhos a
serem decifrados
desenhos a
capturar tempestades
o amanhecer
revela um traço
sem mais
distâncias
parelelos
o vazio
tão próximo
já está
da cunha que
lavra a prata
navega letra,
história, relato
surdo
cegueira da
vertigem
só olfato
a náusea
na corrente que
traga qualquer rumo
redemoinho
os lençóis emaranhados
mapa,
cartografia
da cama
desfeita
imprimindo os
corpos e seus ritmos
lentos de
magma, rastejando
a preguiça
manhosa amanhece
em cheiros,
registros
nas dobras
líquidas, veios, membranas
vertedouro das
águas
à boca a sede
vinca
a concha em
roda
desorientada
línguas de
anêmona no céu da boca
a voz que
tropica
anasalada
sufoca em
sereia
rabo e açucenas
seus segredos
afogados
Manolo acho que vc vai encontrar algumas referências ao seu caderno com desenhos da cama desarrumada, mas acho q tem muito também do desenho do Elias, ao menos como eu o reconheço...agora este final erótico, podem ficar tranquilos, vcs dois não foram as referências!
ResponderExcluirse não foram eles a referência, quem foi? eu? imagino quem seja, é evidente... a Luli. acertei?
ResponderExcluirbom poema, marcos.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirAcho o poema muito bom!
ResponderExcluirConcordo com o Manolo, é ótimo que suas reflexões venham de forma poética, em versos...
Você cria imagens muito bonitas, sensíveis. Entre outras imagens, não é linda a imagem de "segredos afogados"? Para mim, essas palavras também atingem outros sentidos além do visual, são extremamente táteis, tem cheiro... Ainda é possível sentir os lençóis mornos da cama que foi desfeita. É muito bonito!
Só acho que devemos tomar cuidado para não tornarmos o blog, uma extensão do facebook. Existem coisas que podem ficar só nos emails...
estou totalmente de acordo.
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